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CENTRO RECREATIVO DE ALCANADAS |
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| ALCANADAS E CONCELHO HÁ 500 ANOS | |
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Actualizada a 12 Novembro 2001 |
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Alcanadas, é uma aldeia que pertence às freguesias da Batalha e do Reguengo do Fétal, concelho da Batalh, integrando o distrito de Leiria. É uma aldeia que se demarca em Portugal, tanto por causa das suas origens mitológicas, como pela acção cultural que desenvolve desde 1988, data da primeira semana cultural desta terra. Sem dúvida, a universalidade da lenda que António Vieira Franco nos conta, informação que lhe chegou como que por herança das gerações anteriores, reveste-se uma fonte que, (independentemente da irrefutabilidade histórica/arqueológica que felizmente também marca posição nesta localidade) deve ser adaptada sem preconceitos, de forma a que possamos transmiti-la às gerações futuras, que por certo saberão destinguir as ciências exactas, dos saberes tradicionais dos povos, que devem ser respeitados e entendidos como uma posição conjunta das vontades populares. A LENDA DE ALCANADAS (Contada por António Vieira Franco) " Mais ou menos há quatro milénios, Nosso Senhor entendeu acabar com o mundo, mas não através de Guerras, pelo que resolveu fazê-lo de forma a que o povo não desse por ela. Quando tomou a sua decisão, escolheu a família de NOÉ, para que fosse a única que sobrevivesse, assim, dirigiu-se a NOÉ e disse-lhe: - NOÉ, tens que construir uma Arca, que deverá estar pronta daqui por 40 anos, deverás também colher um casal de animais de cada espécie existente. No fim desse tempo voltarei para ver se a Arca esta pronta. Passados 40 anos, tornou a falar com NOÉ: - Então a Arca está pronta? Perguntou, ao que NOÉ respondeu:- não está bem pronta, mas leva poucas horas a acabar. Deus então avisou-o para se apressar, pois estava na hora da Arca partir. Intrigado, NOÉ mostrou curiosidade em saber o dia e hora da partida, a que Deus lhe respondeu:- Vou-te dizer mas não digas nada à tua mulher nem aos teus filhos. Quando a tua mulher vir estar a nascer peixe na tua lareira, fecha-te na Arca com a tua família. Só a tua família! Insistiu. Certo dia, NOÉ encontrava-se na ceifa no campo, quando por volta das dez horas, aparece ao fundo do campo a mulher a chorar. Uma das mulheres que se encontrava a trabalhar com ele, parou o seu trabalho ao vê-la e perguntou a NOÉ: - O que é que aconteceu à sua mulher? - À minha mulher???... inquiriu NOÉ - está em casa! retorquiu, mas ao voltar-se para trás e ao vê-la, disse para a ceifeira : - continua a ceifar, que eu vou ao encontro da minha mulher saber o que se passa. Assustada, a mulher de NOÉ conta-lhe da nascença dos peixes na lareira: - Volta para trás, disse NOÉ algo nervoso, perguntando-lhe se tinha tudo o que precisava dentro da Arca, ao que a mulher acenou afirmativamente. Chegados à Arca pediu-lhe que ela entrasse rapidamente com os seus três filhos e três filhas para dentro. No entanto, uma delas namorava um rapaz, pelo que era seu desejo, que este também entrasse para que pudessem casar um dia. Perante tal dilema, apressou-se a esconde-lo com a ajuda das irmãs sem dizerem nada aos outros. Estando tudo a postos, NOÉ entrou na Arca como combinado, mas logo reparou que esta manteve-se no mesmo lugar: - a Arca não nada porque está aqui alguém que não é da nossa família. disse NOÉ! Apressado começou a procurar em toda a embarcação, por quem não deveria ali estar, tarefa que não se revelou nada fácil, pois as filhas tinham escondido o rapaz dentro de um baú, debaixo de uma grande quantidade de roupas. Após algum tempo, NOÉ encontra-o finalmente e disse-lhe : - A Arca não nada por sua causa! Tem de sair imediatamente. Ao saber que não poderia acompanhar a sua amada, assustado suplicou a NOÉ que não o atirasse para a água que já acompanhava toda a arca, ao que NOÉ respondeu : - Eu não te atiro, quem se vai atirar para a água és tu, pois enquanto tu aqui estiveres a Arca não se mexerá, o que será o nosso fim! Declarou NOÉ. Este ao ouvir a mensagem de NOÉ, atirou-se para a água de forma a salvar a sua amada. Assim que saiu, a Arca logo começou a navegar em alta velocidade. Dirigindo-se para a mulher diz : - Graças a Deus já a arca nada. Trezentos metros à frente, havia um cabeço rochoso, contra o qual a Arca embateu, levando a Mulher de NOÉ a exclamar: - Ai que cabeçada que a arca deu! - Aqui há rocha, respondeu NOÉ. Aconselhando-o a desviar um pouco à direita, para ver se era um penedo, ouviu-se a mulher :- Que grande fundaria de água que aqui vai... já está liberta! Prosseguindo viagem durante vários dias, a família de NOÉ verificou que a chuva estava finalmente a enfraquecer. Libertaram então um casal de pombos, que regressou ao fim de alguns dias por não terem onde pousar. Mais tarde, libertaram um casal de corvos, que não regressaram, levando a família a crer que estavam perto de terra. Para confirmarem, libertaram um casal de rolas que também não voltou, o mesmo acontecendo com as perdizes, andorinhas e outras espécies. Quando avistaram finalmente terra, NOÉ decidiu deixar um filho e uma filha num local que parecia ter sido uma cidade, para que pudessem constituir família e povoassem a terra. Fez o mesmo com as outras filhas mais novas em diferentes locais de aportagem. A Arca seguiu com NOÉ e a mulher, até onde pode navegar....
António Vieira Franco, tinha 91, quando nos contou a lenda da nossa terra, na edição de 25 de Julho de 1996 do Diário Regional de Leiria. De uma lenda contada pela sua mãe, que vinha de muitas gerações anteriores, este nosso bravo conterrâneo abandonou-nos no dia 7 de Março de 2001. Explicou-nos assim, a origem dos nomes de Alcanadas, Penedo, Cabeçadas e Fornaria, lugares das freguesias da Batalha e Reguengo do Fétal. É assim que vamos perpetuar esta lenda, de forma a que caracterize os Alcanadenses como os Habitantes da Aldeia da Arca de NOÉ. |
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Reza
a Lenda que o nome Alcanadas terá surgido há quatro mil anos a.C. ,
quando a Arca de NOÉ encalhou na zona da Eira (Piedosas) e NOÉ terá
perguntado à esposa "A Arca nada ?". A partir daí a
localidade terá passado a chamar-se Alcanadas. Em documentação medieval existente, a aldeia apresenta vestígios que atestam a presença humana ao longo dos séculos, cujo nome, como defende o professor Batalha Gouveia, alude à ocupação Árabe, mais precisamente ao poço de Alcanadas, que estaria ao serviço dos que eram "Obedientes a Alá; submissos; humildes". Logo, o poço de Alcanadas significava, ao tempo da presença árabe na Lusitânia "poço dos Islamitas". "Os
cristãos de Alcanadas, obviamente não submetidos a Alá, teriam de
procurar água noutro poço para matar a sede." Este estudo do topónimo Alcanadas, realizado pelo professor Batalha Gouveia, é um grande contributo para o estudo da nossa terra, no entanto, é bem possível que a presença humana nesta localidade supere, em muito, os dois mil anos o que, em certa medida, vai ao encontro da nossa querida lenda. Achados
arqueológicos, mostram-nos ferramentas de corte de madeira do Paleolítico
Médio usadas na aldeia. Este facto, reforça a ideia de que a localidade
foi em tempos antigos muito arborizada, com locais excepcionais para a
fixação dos povos, no socalco da Serra de Aire e Candeeiros .
Lembremo-nos também que o factor vital existia. A água, era aqui
abundante no ribeiro do Lena. Prova disso, é a existência do dique e da
Ponte Romana. Depois
de Cristo, foram encontrados documentos escritos a partir de 1280.
No entanto, vários vestígios atestam a presença humana ao longo dos séculos
em épocas anteriores a essa, nomeadamente: Túmulos Megalíticos,
Castros, Restos de uma Sinagoga Mourisca, entre outros pequenos achados.
Da época medieval, permanecem alguns fornos de cal, que se pensa terem
sido requisitados para a construção do Mosteiro de Santa Maria da Vitória
na Batalha e casario antigo. Erguida no local, onde existia desde 1225 uma Ermida e edificada sob invocação de Santo Hilário, encontra-se a Capela de S. Mateus. Segundo informação complementada por António José Meneses, existia a possibilidade desta capela estar apoiada numa construção romana. A actual Capela de S. Mateus , foi construída em 1567. Depois de diversas obras de restauro, ao longo dos séculos, a capela acabaria por ser fechada ao culto em 1975. Deixada ao abandono, a Capela de S. Mateus correu o risco de desabamento, não fosse um grupo de populares travar esse processo. Sendo um monumento, classificado de interesse concelhio reconhecido pelo IPAAR, está hoje apta a receber novamente o culto, bem como eventos culturais, que ali podem encontrar as condições ideais para boas performances. A sua manutenção e limpeza é da responsabilidade da confraria de S. Mateus. O
espólio da capela, está hoje no seu local de origem, contribuindo para
fazer daquele local "o lugar mais bonito de Alcanadas", nas
palavras do grande alcanadense Joaquim Cerejo de Matos Soares, membro da
Comissão de Recuperação da referida capela e da Direcção do Centro
Recreativo de Alcanadas e pessoa a quem devemos muito na nossa aldeia. Apesar do padroeiro de Alcanadas ser S.Mateus, as atenções estão centralizadas na Nossa Senhora do Ó. A sua imagem em pedra é gótica, tem estatura e dimensão pequenas, apresentando a Senhora sentada, puxando o seu menino pelo braço. Esta representação será do tempo do mosteiro ou mesmo anterior, segundo as conclusões do Prof. Moisés Espírito Santo. De referir também, a antiquíssima confraria de S. Mateus, que tem casa própria nos Arengões (Alcanadas) e que, desde o século XVI até hoje, obriga os confrades a organizar os enterros dos membros e familiares. Na casa da referida confraria, venera-se uma velha estatueta que se diz ser do padroeiro S. Mateus. "De pedra negra, cerca de dois palmos e particularmente disforme". O Prof. Moisés Espírito Santo, abre aqui a possibilidade de esta poder ser uma velha imagem do, pouco amado em Portugal, Santo Hilário. As propriedades de Alcanadas, são terras de excelência, desde sempre reconhecidas por reis, nobres, artistas. De facto, as vinhas desta terra ainda mantêm os marcos reais pois, as encostas que entroncam a serra, facilitam a produção de óptimos vinhos. Também o primoroso Arquitecto Huguet, mestre de obras no Mosteiro da Batalha, entre 1402 e 1438, fez por adquirir algumas propriedades em Alcanadas. No século XVIII, inicia-se em Alcanadas a actividade mineira que irá marcar toda a vida da aldeia, nos dois séculos seguintes. Beneficiando de um subsolo muito rico em carvão, a exploração teve início em 1746, parando logo 9 anos depois em consequência do Terramoto de Lisboa (1755). Devido a este facto, e por Ordem Régia, os mineiros foram ajudar na reconstrução da cidade de Lisboa. Em
1900, esta era a indústria mais próspera do concelho da Batalha.
Catalisada pelas 2 Guerras Mundiais, a exploração e desenvolvimento
industrial das minas foi enorme, chegando a trabalhar nela, nos anos de
1939 - 1940, mais de 300 operários, fruto de uma grande migração de
pessoas e famílias de diversas regiões de Norte a Sul do país para a
aldeia de Alcanadas. Estas populações, integraram-se muito bem,
provocando um caso excepcional de aculturação, que enriqueceu a terra,
bem como todo o concelho da Batalha. Chegaram pessoas de Santa Comba Dão,
Gondomar, Chaves, e Aljustrel, sendo estes últimos em maior número. Alojando-se nas eiras e currais de animais, que foram
readaptados para o efeito, aqui foram permanecendo, mesmo depois da extinção
da mina em 1952. A actividade mineira exigia 8 horas diárias aos
trabalhadores, sendo a sua alimentação fornecida pelas mulheres que se
deslocavam à entrada da mina com o tradicional "farnel", que
descia pelos vagões até ao local de trabalho. Quatro
anos antes do encerramento das minas ( 1948 ), chegou a Alcanadas o
primeiro rádio a baterias ao café do "Chico Caralinda", o que
foi motivo de grande satisfação para todos. A programação era quase na
totalidade, preenchida por relatos futebolísticos. Em
Maio de 1962, António Grilo, preparou mais uma das suas marchas, para
animar o cortejo que festejava a chegada da electricidade à Aldeia. A
televisão chega, também, à casa de "Chico Caralinda" nos anos
70. As
actividades agrícola e criação de gado, faziam parte das actividades
mais exercidas na aldeia . Cereais tais como: trigo, milho, aveia, cevada
e escorvia para o gado eram semeados em Alcanadas. Na altura das ceifas e
cavas, os homens iam ganhar a jorna até 20 Km de distância da terra. A
vinha e o azeite, eram e são também forte ocupação das nossas gentes,
tarefas que tinham um tempo de apanha semelhante (1 mês cada). Nesta
altura, faziam-se muitas festas, organizadas pelas raparigas que, muitas
vezes, traziam momentos de muitas alegrias ao som do realejo. Também as
descamisadas em Setembro, serviam para o convívio geral, sendo tradição
caricata a que "rodeava" a saída da espiga vermelha, que
permitia ao felizardo beijar as raparigas. "
Esperar a sesta" era um dia sagrado para sair de casa e apanhar
algum namorico. Os rapazes costumavam jogar ao "Fito" (
hoje a Malha ), que na altura se executava com pedras talhadas para o
efeito. Nos dias de S. António, S. João e S. Pedro, principalmente S. João,
faziam-se fogueiras em todas as casas, onde se queimava rosmaninho e
pulmenteira. Neste
período, vai acontecer em Portugal uma forte emigração dos nossos
conterrâneos, que nos anos 60, atingiu o notável número de 40 mil
pessoas/ano. Os destinos vão desde a França, Canadá, América, etc.
Apesar da enorme perda de mão de obra daí resultante, a emigração foi uma
mais valia importante para o desenvolvimento do país. A
escola vem para Alcanadas em 1933, instalando-se onde é hoje o Centro
Recreativo de Alcanadas, passando para as novas instalações em
1964. A
água da rede só chegou em 1967. Como
a única festividade era a festa em honra de Nossa Senhora do Ó,
até há 40 anos, era corrente: ida a Fátima
no 13 de Maio, visita as festas da Batalha no 15 de Agosto, participação
na festa do Espírito Santo, com entrega das oferendas no Reguengo do
Fétal, bem como, ir à missa ao Alqueidão da Serra. esta última
actividade, está ligado
a algumas desavenças amorosas, que hoje curiosamente reforçam a
ligação entre as duas povoações. A
missa em Alcanadas, só tinha lugar nos dias de festa ( Natal e Feriados).
Na Consoada a celebração era no Reguengo do Fétal, sendo muito normal
os homens ficarem cá fora na conversa durante a cerimónia, no entanto, não
se podia falar de tudo pois, assuntos políticos não eram tolerados pela
PIDE, que era a polícia do regime de Oliveira Salazar. Sendo muito
corrente algumas conversas mais pertinentes acabarem na esquadra pois,
existiam muitos informadores. O
programa de rádio " A voz da Liberdade", de Manuel Alegre, era
escutado em segredo por algumas pessoas da terra, que tinham hora, local e
códigos para os encontros. O 25 de Abril de 1974, é vivido com bastante
alegria por alguns mais informados. Outros nem tanto pois, a vida nas
aldeias não se coadominava com a participação cívica, que por
exemplo hoje, ainda que humildemente, se pratica. Também, parece que a
Igreja não querendo meter os pés à frente das mãos, não deu grande realce ao acontecido, o que contribuiu para alguma
falta de informação e consequentemente alguma apatia. Depois
de 25 de Abril de 1974, a aldeia dependia muito das actividades agrícolas,
pecuárias e da área dos serviços em algumas oficinas e fábricas da
região. A
entrada de Portugal para a aventura Europeia, tem lugar em 1985. Este
acontecimento vai levar Portugal a assinar, entre outros, o célebre Tratado
de Maastricht em 1992, que previa uma Política Agrícola Comum, para todos
os Estados. Este facto, por si só, irá estar na origem de enormes alterações
na vida das pessoas, bem como, na organização da paisagem da nossa terra.
A imposição de cotas de produção, auxiliada à abertura das fronteiras
e concorrência, levou os nossos conterrâneos a abandonar no princípio o
gado de corno, incluíndo vacas leiteiras e porcos. Esta alteração por
germinação, contribuiu para o abandono quase total dos campos de
semeadura, que noutros tempos preenchiam e embelezavam a paisagem. Com
esta alteração funcional, as pessoas tiveram de procurar novas formas de
sustento, procurando então emprego em unidades fabris e comerciais no
distrito de Leiria. Alcanadas,
no meio destas conjunturas, lá foi evoluindo pouco a pouco, nos anos 80.
Realizam-se obras de melhoramento do campo de futebol 11, ( palco de
muitas belas exibições da equipa de Alcanadas ) e renovou-se o Centro
Recreativo de Alcanadas. Já na segunda metade dos anos 90, a rede viária e
saneamento básico da aldeia foram completamente renovados. A
lixeira, que tantos problemas trazia, foi selada, dando lugar a uma
inovadora Central de transferência dos lixos, que transfere todos s resíduos
para a Central de Tratamento de Leiria, no intuito de promover a
reciclagem e melhor tratamento. Inaugurou-se também, um monumento
evocativo à Lenda da Arca de NOÉ, que se encontra na fonte de Alcanadas
(lavadouro). Já
neste novo século e novo milénio, inauguraram-se no dia 8 de Julho de
2001 novas infra-estruturas para "Viver e morrer melhor", ou
seja, um polidesportivo, ( localizado em terrenos da antiga mina ) e
um cemitério nas Piedosas ( lugar idílico desta nossa Aldeia ). |
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Alcanadas, localiza-se
no centro de Portugal, fazendo parte da Área Promocional da Região de
Turismo Leiria/Fátima, pertence ao O Concelho, tem uma área aproximada de 108 km2. A Aldeia, encontra-se acompanhada de 8 colinas no sopé do Parque Natural da Serra de Aire e Candeeiros, facto que contribui para a extrema beleza natural, bem característica das paisagens calcárias do Maciço Calcário Estremenho. Estando perto de tudo, 30km de Nazaré, 5 de Batalha, 14 de Leiria ou Fátima e à entrada da Serra D'aire e Candeeiros, este lugar mitológico convida à viagem e à descoberta da ALDEIA DA ARCA DE NOÉ! Para chegar, pode apanhar ou o Itinerário Complementar IC2 ( Estrada Nacional 1) saída Batalha, sentido Fátima pela Nacional 356 Batalha/Fátima; ou então pela A1 saída em Fátima e sentido Batalha pela mesma Nacional.
VENHA, VAI VER QUE LHE FAZ BEM ! |
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A lenda da Arca de NOÉ, é sem dúvida um património místico que importa realçar pois, além de estar nas origens de Alcanadas, revela-se uma característica que transmite à aldeia um carácter universal, devido à universalidade que lhe é reconhecida por quase todas as culturas. Este facto, deve-se, em primeiro lugar, à referência bíblica aquando do Dilúvio Universal e também, às referências científicas nomeadamente da Arqueologia, Astrologia e Filosofia, ao assunto. Estes aspectos revelam a importância da lenda, bem como a sua actualidade nas reflexões que irão acompanhar o Homem por muito tempo. Além do mais, é uma bela "estória" que tem o poder de embalar as crianças num último ensinamento antes do sono revitalizante. (Imagem)
"Nós somos o planeta vivo, Sofia! somos a grande embarcação que navega à volta de um sol ardente no Universo. Mas cada um de nós é também um barco que atravessa a vida com uma carga de genes. Quando a tivermos transportado até ao porto seguinte, não teremos vivido em vão..." In: Mundo de Sofia, de Jostein Gaarder
Também a capela quinhentista de S. Mateus e recheio, ex-libris das Alcanadas e monumento classificado de interesse concelhio, é património a acarinhar.
Os terrenos, edifícios e entrada da antiga Mina, que deveriam ser alvo de uma requalificação e conservação, sob olhar da Santa Bárbara, são obra de grande relevo e importância. Esse trabalho, permitirá a protecção do imenso Património Arqueológico Industrial do século XVIII, que ali permanece sem rival no distrito de Leiria.
Todos os vestígios medievais tais como: os Castros, Restos da Sinagoga Mourisca, Túmulos Megalíticos, Marcos Reais, Moinhos, Fornos de Cal, Ponte Romana (na Ribeira), aparecem como elementos importantes para caracterizar esta terra.
O casario antigo de Alcanadas, deve ser alvo de uma nova política de reabilitação, de forma a resguardar a arquitectura civil da aldeia.
Também o património construído neste século é de destaque, especialmente as obras de Joaquim Pisa, o Centro Recreativo de Alcanadas, as infra-estruturas desportivas, (Campo de Futebol 11 e Polidesportivo) o Cemitério, entre outros. |
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A determinada altura, numa edição de um dos nossos semanários regionais aparecia uma frase que dizia enfaticamente "A cultura chegou à Aldeia", na altura anotei a saudosa notícia, mas passado um tempo vejo que tal referência não estava completamente dentro da razão pois, se a cultura é uma característica intrínseca dos indivíduos, nós já determinamos os nossos à milénios na nossa localidade. Isto para dizer que, apesar da nossa pouca vivência cultural, ela existe e está bem viva em Alcanadas. Pessoas, música, peças de teatro, exposições temporárias, poesia, romarias, bailes, procissões, tudo isto tem forma cultural visível, nem que seja de vez em quando, na nossa terra. Uma das pessoas que a ela se liga muito, é sem dúvida José Baptista de Matos pela sua devoção e dedicação. Também António do Rosário Baptista, ( que é autor de quase todos os registos que apresentarei seguidamente ) e restante população integram e dinamizam realidades culturais ( Ver EVENTOS E FESTAS ) que se manifestam em Alcanadas ao longo do ano.
Diálogo “o merceeiro e o freguês”: Merceeiro4Então S. José não me paga Então
que vergonha é a sua Por
mais que eu o descomponha Você
ainda continua Desde
que me ferrou o cão Nunca
mais saio à rua Freguês4É talvez por lhe dever Que
eu tenho medo de si Quer
que eu deixe de comer Para
pagar o que comi. Merceeiro4Ó sua cara descarada Seu
cãoseiro de má raça Eu
quando comprei a fazenda Fui
logo largar a massa Quer
você à minha custa Encher
a pança de graça. Freguês4Tanta coisa para nada Somente
para me insultar Um
cãozito tão pequeno Que
mal sabia ladrar Atura-se
um taberneiro E
um homem tem que se calar Merceeiro4Então seis mil e quinhentos É
cão que não vale nada Se
não levanto o cesto Depressa
o cão engordava Arranjado
estava eu Se
me não acautelava Freguês4Se você se acautelar Vai
ficar sem freguesia Todo
o homem de negócio Compra
a crédito e também fia Você
tem casa de seu E
eu tenho a noite e o dia Merceeiro4Trabalhe seu malandrão Se
quer mostrar seu valor Os
calos são os anéis Dum
homem trabalhador Os
calos dão anéis doiro Dão
casas para habitar E
um homem trabalhador Escusa-se
de envergonhar Freguês4De vergonha não me importa O
que importa é a barriga Quando
a sinto a dar horas É
que a trabalhar me obriga Trabalhar
por apetite Eu
não vou nessa cantiga Merceeiro4Você nasceu para malandro Não
quer juntar capitais Na
lista de caloteiros É
um tipo dos principais Mas
arranje por outro lado Que
a mim não come mais Freguês4Deixemo-nos agora disso Falemos
noutro assunto Não
se esteja a incomodar Que
ainda lhe não devo muito Se
me quiser fiar mais Eu
depois pago-lhe junto Merceeiro4Como vai você pagar Donde
é que a herança lhe vem Você
não quer trabalhar Você
dinheiro não tem Só
se sair à estrada E
for roubar alguém Freguês4Ó seu velho taberneiro Você
me chama ladrão Aquilo
que me fiou Não
mo deu por sua mão Quem
ferra o cão a um vendeiro Tem
cem anos de perdão Merceeiro4Ó seu Zé não me insulte Quando
não mando-o prender Nem
me esteja a provocar Em
cima de meu dever Que
eu não lho torno a pedir Já
conto em o perder Freguês4Pois então fiquemos pagos Desculpe
a minha chalaça Em
troca de uma amizade É
bem que um favor se faça E
um dia bem você morrendo Vou
enterra-lo de graça
Desgarrada do Grilinho:
Fui
um dia para te ver Estavas
com o sangue na guelra Mais
tarde vim a saber, Que
tinhas alcunha de melra Dos
animais mais ferozes Ocupa
o crocodilo, Também
te dou a saber Que
tenho por alcunha o grilo Entre
a melra e o grilinho, Não
há qualquer obstáculo Enquanto
a melra faz o ninho O
grilo canta ao buraco Neste
Centro Cultural, A
cantar à desgarrada, Está
a melra do Reguengo E
o grilo de Alcanada A
melra é um ser oculto Mas
tem um cantar tão belo Toda
se veste de luto Mas
é de bico amarelo Um
caso mais concreto, Esta
a dar-se em Alcanada Uma
ave e um insecto A
cantar à desgarrada. Venham
ver a brincadeira Venham
ver o espectáculo Canta
a melra na silveira E
canta o grilo no buraco. Qual
de nós será pioneiro, Nesta
nossa desgarrada? Se
é a Maria do Reguengo, Ou
o António de Alcanada Com
esta vou terminar Adeus
que me vou embora Tu
podes cantar mais uma Para
ficares vencedora.
Marcha
que celebra a chegada da electricidade a Alcanadas Vejo
as luzes lá do alto Vejo
tudo em sobressalto E
em tamanho sacrifício Grande
alegria se encerra Na
nossa pequena terra Deste
grande benefício Reina
grande animação Neste
pequeno terrão De
terreno tão sagrado Há
grande contentamento Por
este grande monumento Que
vai ser inaugurado Esta
enorme necessidade Esperada
com ansiedade Para
nosso heroísmo Nesta
crise universal O
povo de Portugal Mostra
o seu patriotismo E
estribilho Pelas
ruas e vielas Nós
passamos com saudade Onde
outrora era escuro Agora
há luz e claridade Cá
nesta aldeia singela Que
já parece uma cidade
8 de Abril de 1962 Fonte desaparecida: Em
Alcanada Há
beira de uma estrada Reza
a tradição Havia
uma fonte A
qual se chamava Fonte
do Arangão Ó
virgem Maria Mas
o que seria Que
aconteceu Que
desolação A
Fonte do Arangão Desapareceu Vejam
meus senhores Aqueles
malfeitores Que
por ali passaram Sem
ter coração E
sem ter compaixão A
fonte enterraram REFRÃO Fonte
tão velhinha Que
ali existia Que
ao longo dos séculos De
água fresquinha Nos
abastecia Fonte
do Arangão Num
triste penar Em
grande aflição Pede
à população Que
a vá desenterrar Eu
digo cá para mim Um
escândalo assim Já
não há memória Quer
queiram quer não A
Fonte de Arangão Tinha
a sua estória O
povo da aldeia Suspira
e anseia Sobre
aquele monte Parece
loucura Vai
tudo à procura Da
velhinha fonte Alguém
perguntou O
que se passou Lá
em Alcanadas Eu
respondi então A
fonte do Arangão Morreu
soterrada. MARCHA DE ALCANADAS:
REFRÃO Alcanadas,
moira encantada, És
meu encanto e a minha paixão, Terra
amiga, jóia antiga, És
a mais bela que manténs a tradição. Alcanada,
moira encantada, Cantando
mostras tua beleza, Alcanadas
deste nosso Portugal, Terra
amada imortal bem portuguesa. Não
há ninguém que não diga, E
com uma certa razão, Que
é a aldeia mais antiga, Desta
nossa região Tão
velhinha que ela é, Mas
tem histórias engraçadas, Foi
a Arca de NOÉ... ai...ai... Que
deu nome às Alcanadas Aldeia
branca e velhinha, No
mundo não tens rival, Tens
a velha capelinha, Património
nacional, És
para mim um luzeiro Onde
estão os intentos meus, E
tens como padroeiro...ai...ai... O
apóstolo S. Mateus. Homenagem aos Bombeiros Voluntários da Batalha: A
aldeia de Alcanadas Sempre
que seja alertada, Ás
suas regras não falha Mostram-se
ser solidários Aos
bombeiros voluntários Desta
vila da Batalha Na
hora da aflição Numa
enorme prontidão Eles
ouvem a nossa voz Muitos
tem sido aqueles Que
têm chamado por eles E
eles hoje chamam por nós. Nós
não teríamos coragem Para
não prestarmos homenagem, A
esta Corporação destemida, Nós
vimo-los ofertar Há
que os considerar, Porque
eles dão vida por vida. AO
CENTRO PASTORAL DA N.ª SR.ª DOS REMÉDIOS É
com prazer e alegria, Que
o povo da freguesia, Do
Reguengo do Fétal, Mostrando
sermos unidos, Aqui
estamos reunidos, Nesta
festa inaugural. Reunidos
nesta hora, Mostrando
a Nossa Senhora, Que
vimos por seus intermédios, Inaugurar
afinal, Este
Centro Pastoral, Da
Senhora dos Remédios. MARCHA
DE S. ANTÓNIO E S. JOÃO Ao
som de um armónio Corri
aflito Ai
meu Santo António Dai-me
um namorico Cachopas
brejeiras Em
lindos bailados Vão
para as fogueiras Com
seus namorados REFRÃO Vão
os rapazes com as raparigas Tanta
alegria no peito encerra Somos
audazes não haja intriga Esta
é a marcha da nossa terra. Marcha
tão garrida Canções
e baladas Não
há terra crida Como
as Alcanadas. Aldeia
singela Tu
não tens rival Tu
és a mais bela Deste
Portugal. Ref. Há
fumo no ar Já
tenho um balão Para
festejar Também
S. João. Fumo
branco e puro sai do rosmaninho Lá
vai sem futuro Subindo
sozinho. Marcha à Batalha: Batalha
formosa o povo a sorrir É
como uma rosa quando está a abrir Quando
está a abrir está em botão Batalha
formosa do coração. REFRÃO Lindo
mosteiro Rico
profundo És
o primeiro De
todo o mundo Linda
memória Tão
sem igual Que
trás a História De
Portugal. Vamos
à Batalha vamos a cantar As
nossas oferendas nós vamos levar Vamos
com carinho vamos com fervor Vamos
lhe mostrar o nosso amor REF. Vêm
lindas oferendas de todos os lados Vão
as raparigas com os seus namorados Deus
esteja com connosco é nosso desejo Vimos
tomar parte neste cortejo. REF. Homens
e mulheres Vai
tudo em geral Jovens
e donzelas Àquele
local Meu
Deus tanta gente Que
vão lá fazer? As
suas oferendas Vão
oferecer. REF. Tanta
riqueza Tanta
saudade Tanta
nobreza E
lealdade Tanta
alegria Tantos
carinhos Trás
este dia Aos
pobrezinhos. Marcha de Alcanadas (José Baptista Magalhães): Terra
bendita Deste
Portugal És
a mais bonita E
sem ter rival Tuas
moçoilas Cantando
ao serão Lembra-nos
papoilas No
pino do verão REF. Alcanadas
amiga como tu não há igual Jóia
mais antiga Deste
Portugal Princesa
bendita Que
nasceste benfadada És
mais bonita que qualquer fada. Os
passarinhos Passando
a voar Pedem-te
baixinho Que
venhas cantar A
sua voz Banhada
de pranto Vêm
junto de nós como
puro encanto. REF. De
manhãzinha Gostamos
de ver Teu
véu de rainha Ao
alvorecer Durante
o dia Banhado
de luz Tua
melodia Assim
nos seduz. Marcha de S. João: Rompeu
o dia, está a nossa aldeia em festa, Não
há no mundo romaria como esta, Haja
alegria, haja grande animação, Viva
a folia, é dia de S. João. REF. Alcanadas
cheira a pulmenteira, Alcanadas
cheira a alecrim, Alcanadas
cheira a rosmaninho, Do
Algarve ao Minho, Não
há outra assim. Quando
à tardinha, sem canseiras nem fadigas, Bem
sorridentes com o seu arquinho e balão, Vão
os rapazes ao lado das raparigas Todos
contentes na marcha de S. João. REF. As
raparigas nesta marcha popular, Levam
na mão vaso de manjerico, E
à noitinha à capela vão rezar a
S. João que lhe dê um namorico. Versos de um emigrante: Lá
por ter nascido em França Não
me considero francesa Trago
sempre na lembrança Minha
pátria portuguesa Os
meus pais são emigrantes Eu
nisso sinto prazer São
firmes e confiantes À
pátria e ao dever. O
ano passado parti De
férias a Portugal Quando
cheguei resolvi Visitar
a capital Na
Madragoa passei, Ouvi
o som de um armónio Derrepente
recordei As
marchas de Santo António. A
seguir fui visitar A
estátua de Dom José Passei
em Alcântara Mar Até
ao Cais do Sodré. Vi
a ponte sobre o Tejo, Que
muito admirei Para
satisfazer meu desejo Fui
visitar Cristo Rei. Com
seus olhos impressionantes De
braços abertos no ar A
todos os emigrantes Parece
crer abraçar. São
também os meus intentos E
toda a minha aspiração Visitar
os monumentos Lá
na minha região. O
Castelo de Leiria E
na Batalha o Mosteiro E
também Cova de Iria, Que
é o altar do mundo inteiro. Foi
em Fátima que apareceu A
virgem aos pastorinhos Foi
um dom que Deus me deu Eles
serem meus vizinhos. Meu
distrito é Leiria Do
centro de Portugal Pertenço
a freguesia Do
Reguengo do Fétal. Agora
para terminar Eu
digo com altivez Prezo-me
em participar No
concurso português. |
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As
semanas culturais de Alcanadas, tiveram inicio em 1988. Tendo a primeira
decorrido de 24 a 31 de Julho desse ano, sem dúvida este é um evento do qual
nos devemos e podemos orgulhar. Tendo
como mentor desta iniciativa o senhor José Baptista de Matos, ( “O SENHOR
ALCANADAS” ) certo é que toda a aldeia auxilia a sua execução ano após
ano, contribuindo para que Alcanadas seja
reconhecida hoje no mapa de Portugal. Esta
inédita iniciativa, que promove a cultura popular, mantendo a tradição dos
bailes e romarias, intenta ir mais além na sua programação. Assim, tenta
promover um leque de actividades que vão desde o Teatro ao Desporto, do Fado ao
Tiro aos Pratos, dos Jogos Populares às Exposições, dos Cantos à Desgarrada
ao Debate Político, da Vivência Democrática à Prova Gastronómica. A Semana Cultural é na nossa perspectiva um modelo muito pertinente, da evolução que está a operar-se por todo o país, no que diz respeito a iniciativas promovidas por aldeias, vilas e cidades, que tanto necessitam deste tipo de sensibilidades. Estes
eventos, têm a capacidade de animar as pessoas, ( preenchendo os seus tempos
livres com actividades de lazer ) incentivar a participação das pessoas
e promover o civismo, tornando-se, desta forma, um precioso auxiliar no processo de controlo e
regulação da nossa democracia. Assumindo-se
como um evento Cultural, Social e Cívico, deseja continuar a marcar presença,
para que possa fazer parte da programação cultural do Distrito de Leiria. De
referir, que no decorrer das semanas culturais, a aldeia passa para as capas de revistas e
jornais de todo o país e estrangeiro. Também as televisões ocasionalmente
aqui nos visitam por esta altura. Orgulhamo-nos
de todas as visitas, que aqui vêm surpreender-se com a beleza
social, histórica e ambiental de Alcanadas. Das quais destacamos dezenas
de figuras públicas intervenientes na vida pública, tais como: Engenheiro Lopes
Cardoso, Arquitecto Ribeiro Teles, Prof. Adriano Moreira, Dr. Barros Moura, Dr.
Joaquim Miranda, Dr. Jorge Ferreira, Engenheiro Macário Correia, Almirante Rosa
Coutinho, Dr. Luís Sá, Engenheiro Luís Coimbra, Dr. José Casanova, Dr. João
Poças Santos, José Socrates, Manuela Aguiar, Maria José Nogueira Pinto, Iva
Delgado, Paulo Portas, Pires de Lima, entre outros, proferindo colóquios e
interagindo com os nossos conterrâneos, pessoas da região e visitantes de todo
o país, que
assistem e intervêm com enorme interesse. De
referir, a mobilização não só dos responsáveis e membros dos órgãos do
Centro Recreativo, mas também, de todas as pessoas de Alcanadas, em especial
os jovens que desfrutam desta ocasião para apresentarem trabalhos conjuntos nas
mais diversas áreas culturais. Este exercício presenteia-nos, na nossa
perspectiva, com mais valias
que nos acompanham pela vida toda e que devem ser alvo de um processo
evolutivo. Estes trabalhos contribuem de facto para o enraizamento das
pessoas à terra. Sendo
promovida consecutivamente pelas várias direcções do Centro Recreativo de
Alcanadas, instituição máxima nesta terra, e, tendo já passado o “período
de incubação” do evento, podemos dizer que a Semana Cultural de Alcanadas está aí para
ficar e para viver Portugal. FESTEJOS
DA SENHORA DO Ó E DE S. MATEUS Os
festejos em honra da Nossa Senhora do Ó e de S. Mateus, são os mais antigos
festejos em Alcanadas. Sendo o único festejo nos anos 40, tinha lugar (até
há 20 anos ) a 25 de Dezembro (dia de Natal ). Nessa
época, a festa merecia a comparência de um padre para celebrar a missa na igreja de S.
Mateus, sendo acompanhado no acto cerimonial, (segundo residentes desta
terra ) pela Banda Filarmónica das Cortês, que tocavam, cantavam, faziam o peditório
e serviam o padre. A
cerimónia era em Latim, sendo incompreendida por 90% das pessoas que lotavam a
igreja. Ocupando superiormente o coro, em baixo os bancos, as pessoas que
chegavam atrasadas alargavam a nave da igreja para a rua nos dias mais
importantes. Desde
há alguns anis, os
festejos tem lugar no final de Agosto princípios de Setembro,
facto que não alterou a vitalidade e importância dos festejos para os alcanadenses. A missa, procissões, bailes, quermesse , serviços de bar/restaurante, dão hoje vida nova ao belo espaço que resultou das obras de restauro da igreja de S. Mateus, promovidas pela comissão de recuperação da capela, que fez daquele espaço “ O mais belo espaço da aldeia”. |
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- Data de fundação – 05/07/1972 -
N.º de sócios – 300 - Sede geográfica – Alcanadas - Área de influência – Alcanadas, Alqueidão
da Serra, Fonte do Oleiro, Cela e Casal da Quinta - Superfície – 4000m2 - Secções – não tem A colectividade, nasceu em 1972, tendo existido no seu
local uma velha escola. Quando se edificou a nova escola, a casa foi
oferecida à população, que a utilizava para reunir. Em 1981, já existia um projecto feito pelo
Gabinete técnico de Apoio de Leiria que visava a ampliação, previa também um
posto de enfermagem, biblioteca, sala de reuniões e gabinete da direcção,
obra que estimava um investimento de 8 mil contos, mas que não vincou.. Hoje, as instalações incluem: um
bar/sala de convívio/TV; escritório; sala de jogos/exposição; espaço para
utilização de computadores/Internet; salão de festas com pequeno palco, que
se utiliza também como sala de jogos, sala de apoio a programas de tempos
livres, etc. A Colectividade cresceu especialmente com
donativos da população, tendo além da sede um terreno para onde estão
projectadas infra-estruturas de apoio à terceira idade, bem como um parque
infantil. O terreno foi adquirido por quatro mil contos, há cerca de 7 anos. Na
altura, a direcção pretendia realizar uma construção típica com instalações
que permitissem a vinda de um médico um dia por semana, bem como, um parque
infantil com árvores, que permitisse o recreio para as crianças e idosos.
Este projecto, ainda não está executado, mas, pela sua qualidade, necessidade e
projecção futuras deverá ser um dos objectivos desta casa que todos gostaríamos
de ver realizado. O Centro Recreativo de Alcanadas, possui
também um parque de jogos inaugurado em 8 de Maio de 1988, que foi palco por
muitos anos de jogos de futebol 11 que tinham como mais valia, a ocupação saudável
dos jovens da nossa região. Recentemente, e como complemento às nossas
infra estruturas desportivas, foi recentemente inaugurado um polidesportivo, nos
terrenos da antiga mina, que exigiu um investimento estimado de 5 mil contos. Os marcos mais importantes desta colectividade foram, sem
dúvida, as equipas de futebol, o rancho folclórico (
ambas actividades interrompidas ) e as, cada vez mais actuais, Semanas Culturais. O Rancho Folclórico da terra, que deu início à actividade em data a determinar, esteve parado algum tempo, tendo
“reanimado” em 1986 por alguns anos, voltou a parar até hoje. As Semanas Culturais, são obra de todos
os alcanadenses, no entanto, devemos a sua existência ao seu criador, José Baptista
de Matos, um Homem que divide a sua vida entre a "amante" e a "progenitora".
Sem dúvida, esta repartição de tempo que faz entre França e Portugal,
desencadeou, nesta nossa figura, um espírito criativo invulgar que a todos toca.
Foi ele que, desde a 1ª Semana Cultural, que se realizou de 24 a 31 de Julho de
1988, operacionalisou os programas, trazendo-nos as mais mediáticas e
conhecidas figuras do país, aos colóquios
que decorrem durante a semana. A associação, tem levado também a cabo vários
cursos, no âmbito da alfabetização de adultos, ocupação de tempos livres,
entre outros. Também tem procurado participar e organizar torneios de diversas
modalidades, não esquecendo a comparência e representatividade nas festas e
iniciativas concelhias para que é convidada. Financeiramente , a colectividade vive com
algumas dificuldades das
verbas cedidas pela Câmara Municipal da Batalha, das Juntas da Freguesia de
Batalha e Reguengo do Fétal, de patrocínios individuais ou de empresas, do
rendimento do bar/serviços e obviamente das quotas dos associados. De notar que muitas colectividades, abrem
apenas à noite aos sócios, a nossa abre também diariamente entre as 12 e as
15 horas, contribuindo assim para o bem estar de todos |
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“Em
relação à população, podemos referir que em 1527 as autoridades do reino
fizeram um recenseamento nacional, que registou o nome dos lugares e o número
de fogos. Assim,
determinou-se que as Alcanadas tinha 12 fogos, na altura, menos 65 que a vila da
Batalha. Para
sabermos a população média, multiplicamos por 4 ( n.º médio de residentes
por casa à 500 anos) o número de fogos, o que dá uma população estimada de
48 habitantes. Pode parecer pouco, mas devemos ter em conta que a população
estava a recuperar das epidemias que dizimaram grande parte da população no
final do século XIV e início do século XV. Em
todo o concelho, se registaram alterações, no entanto em certos locais mais do
que noutros. A actividade agrícola, tinha como ponto forte os cereais, sobretudo
trigo, cevada e algum linho, o milho e a batata ainda não existiam. Também
marcavam presença as Oliveiras e as Figueiras que abundavam. Não existiam
ainda laranjeiras. Nas encostas, os Carvalhais, os Sobreirais e alguns Castanheiros marcavam presença, nos baixios haviam
Choupos e Freixos. O Pinho e
a Vinha eram nesta altura raros. A
fauna mudou também muito, havia em abundância rebanhos de ovelhas, de cabras e
muitos burros, (um pelo menos em cada casa) alguns cavalos e os mais remediados
tinham uma junta de bois. O
regime de propriedade era muito diferente do que se pratica hoje. Os habitantes
apenas possuíam de seu as courelas contíguas à povoação. Para além dessas
courelas, entrava-se em grandes propriedades senhoriais, ou seja, do rei, dos
nobres, dos senhores da vila ou do mosteiro de Santa Cruz
de Coimbra. Estas propriedades, quase sempre incultas, produziam
sobretudo mato e bolota que eram dadas aos porcos. Haviam
também muitas terras baldias, isto é, pertencentes às aldeias no seu conjunto
e para uso exclusivo dos seus habitantes. Eram utilizadas sobretudo para pastagens e
recolha de lenha. Os rebanhos circulavam por todo o lado, mesmo nas terras dos
outros, e a azeitona caída no chão até aos santos, também pertencia a todos. Ao
longo dos séculos os habitantes foram-se tornando proprietários privados
dessas terras, directamente por cedência do rei ou, por ocupação pura e
simples. O estado encorajou a ocupação dos baldios, sobretudo a partir do
Século XVIII, contra a vontade das aldeias no seu conjunto. Não
podemos deixar de referênciar que o Mosteiro de Santa Maria da Vitória foi
construído em 1385 por operários habitantes da região. Todo o concelho vivia
das obras do mosteiro. Podemos mesmo supor que cada família teria um ou dois homens a
trabalhar nas obra, durante todo o tempo que elas duraram. Da lavoura
ocupavam-se sobretudo as mulheres e as crianças. Podemos
supor também, que esses artistas-operários seriam muito mal pagos, quase como
escravos, que se sujeitavam a trabalho muito árduo, sujeito a muitos acidentes
de trabalho. O
dia de trabalho era geralmente de sol a sol, com um período de duas horas de
sesta à tarde, Trabalhava-se mais durante o dia, mas havia muitos mais dias
santos, em média três ou quatro por mês. Trabalhavam mais, efectivamente mas,
também se divertiam muito mais do que nós. Iam a todas as festas, peregrinações
e romarias das regiões, percorrendo para isso, por vezes, mais de 20Km a pé.
Cantava-se pelo caminho e dançava-se nos largos das tabernas, passando nesses
santuários populares a noite da véspera. Os
homens iam a todas as feiras das redondezas, a cavalo ou a pé, armados com um
cacete. No Verão nas aldeias, cantava-se e dançava-se nos adros e centros das aldeias e,
no Inverno, nos palheiros ou em barracões, ao som de instrumentos simples: pífaros,
concertinas, ou a voz das cantadeiras. Há
seiscentos anos, as regras da moral e da decência eram menos severas do que há
cinquenta anos. Havia muitos casais que hoje diríamos amancebados e muitos
filhos ilegítimos. O casamento era menos cerimonioso, bastava que um rapaz e uma
rapariga com idade de casar dissessem um ao outro, mesmo num momento de paixão
passageira: “tomo-te por minha; tomo-te por meu” e logo ficavam casados,
tinham só depois de dizer a alguém ( família, pároco, ou outra autoridade)
que haviam prometido fidelidade entre si e logo o casamento ficava oficializado. Este
processo de contrair casamento, muito antigo, só foi abolido pelo Concílio de
Trento, em 1557, mas ainda se praticou em toda a Beira até 1750, lembremo-nos
que não havia registos como há hoje. Os
encontros entre rapazes e raparigas eram menos controlados pelos pais e pela
vizinhança porque, os caminhos eram mais longos, as aldeias mais escuras e os
locais de trabalho mais afastados. As
caminhadas para as festas eram ocasião de grandes paródias, o que de certa
forma contribuiu para concluir que os nossos antepassados faziam muitas mais
“asneiras” do que os nossos pais fizeram na sua juventude. Os filhos nascidos
fora do casamento eram , há duzentos anos, dez ou vinte por cento da população.” ( Fonte utilizada: PEREIRA, Severino; ESPÍRITO-SANTO, Moisés. O concelho da Batalha, edição da Câmara Municipal da Batalha, Abril de 1987. Dicionário Enciclopédico da História de Portugal, edição de Selecções do Reader’s Digest, SA, 1985 ) |
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As actividades que o Centro irá realizar serão colocadas por ordem de ocorrência. Venha também participar na nossa festa. Município da Batalha e o Centro Recreativo de Alcanadas levam a efeito a 28 de Setembro, Domingo, com partida às 9h30 junto à Capela de São Mateus, o percurso pedestre “Mata do Cerejal”.
Obrigado pela sua visita !
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CENTRO RECREATIVO DE ALCANADAS
E-Mail: alcanadas@yahoo.com.br
Trabalho desenvolvido por: Horácio de Matos Táboas