CENTRO RECREATIVO DE ALCANADAS

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CENTRO RECREATIVO DE ALCANADAS
ALCANADAS E CONCELHO HÁ 500 ANOS
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Actualizada a 12 Novembro 2001

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ORIGENS

Alcanadas, é uma aldeia que pertence às freguesias da Batalha e do Reguengo do Fétal, concelho da Batalh,  integrando o  distrito de Leiria.

É uma aldeia que se demarca em Portugal, tanto por causa das suas origens mitológicas, como pela acção cultural que desenvolve desde 1988, data da primeira semana cultural desta terra.

Sem dúvida, a universalidade da lenda que António Vieira Franco nos conta, informação que lhe chegou como que por herança das gerações anteriores, reveste-se uma fonte que, (independentemente da irrefutabilidade histórica/arqueológica que felizmente também marca posição nesta localidade) deve ser adaptada sem preconceitos, de forma a que possamos transmiti-la às gerações futuras, que por certo saberão destinguir as ciências exactas, dos saberes tradicionais dos povos, que devem ser respeitados e entendidos como uma posição conjunta das vontades populares.

A LENDA DE ALCANADAS (Contada por António Vieira Franco)

" Mais ou menos há quatro milénios, Nosso Senhor entendeu acabar com o mundo, mas não através de Guerras, pelo que resolveu fazê-lo de forma a que o povo não desse por ela. Quando tomou a sua decisão, escolheu a família de NOÉ, para que fosse a única que sobrevivesse, assim, dirigiu-se a NOÉ e disse-lhe: - NOÉ, tens que construir uma Arca, que deverá estar pronta daqui por 40 anos, deverás também colher um casal de animais de cada espécie existente. No fim desse tempo voltarei para ver se a Arca esta pronta.

Passados 40 anos, tornou a falar com NOÉ: - Então a Arca está pronta? Perguntou, ao que NOÉ respondeu:- não está bem pronta, mas leva poucas horas a acabar. Deus então avisou-o para se apressar, pois estava na hora da Arca partir. Intrigado, NOÉ mostrou curiosidade em saber o dia e hora da partida, a que Deus lhe respondeu:- Vou-te dizer mas não digas nada à tua mulher nem aos teus filhos. Quando a tua mulher vir estar a nascer peixe na tua lareira, fecha-te na Arca com a tua família. Só a tua família! Insistiu.

Certo dia, NOÉ encontrava-se na ceifa no campo, quando por volta das dez horas, aparece ao fundo do campo a mulher a chorar. Uma das mulheres que se encontrava a trabalhar com ele, parou o seu trabalho ao vê-la  e perguntou a NOÉ: - O que é que aconteceu à sua mulher? - À minha mulher???... inquiriu NOÉ - está em casa! retorquiu, mas ao voltar-se para trás e ao vê-la, disse para a ceifeira : - continua a ceifar, que eu vou ao encontro da minha mulher saber o que se passa. 

Assustada, a mulher de NOÉ conta-lhe da nascença dos peixes na lareira: - Volta para trás, disse NOÉ algo nervoso, perguntando-lhe se tinha tudo o que precisava dentro da Arca, ao que a mulher acenou afirmativamente. Chegados à Arca pediu-lhe que ela entrasse rapidamente com os seus três filhos e três filhas para dentro. No entanto, uma delas namorava um rapaz, pelo que era seu desejo, que este também entrasse para que pudessem casar um dia. Perante tal dilema, apressou-se a esconde-lo com a ajuda das irmãs sem dizerem nada aos outros.

Estando tudo a postos, NOÉ entrou na Arca como combinado, mas logo reparou que esta manteve-se no mesmo lugar: - a Arca não nada porque está aqui alguém que não é da nossa família. disse NOÉ! Apressado começou  a procurar em toda a embarcação, por quem não deveria ali estar, tarefa que não se revelou nada fácil, pois as filhas tinham escondido o rapaz dentro de um baú, debaixo de uma grande quantidade de roupas. Após algum tempo, NOÉ encontra-o finalmente e disse-lhe : - A Arca não nada por sua causa! Tem de sair imediatamente. Ao saber que não poderia acompanhar a sua amada, assustado suplicou a NOÉ que não o atirasse para a água que já acompanhava toda a arca, ao que NOÉ respondeu : - Eu não te atiro, quem se vai atirar para a água és tu, pois enquanto tu aqui estiveres a Arca não se mexerá, o que será o nosso fim! Declarou NOÉ.

Este ao ouvir a mensagem de NOÉ, atirou-se para a água de forma a salvar a sua amada. Assim que saiu, a Arca logo começou a navegar em alta velocidade. Dirigindo-se para a mulher diz : - Graças a Deus já a arca nada. 

Trezentos metros à frente, havia um cabeço rochoso, contra o qual a Arca embateu, levando a Mulher de NOÉ a exclamar: - Ai que cabeçada que a arca deu!  - Aqui há rocha, respondeu NOÉ. Aconselhando-o  a desviar um pouco à direita, para ver se era um penedo, ouviu-se a mulher :- Que grande fundaria de água que aqui vai... já está liberta!

Prosseguindo viagem durante vários dias, a família de NOÉ verificou que a chuva estava finalmente a enfraquecer. Libertaram então um casal de pombos, que regressou ao fim de alguns dias por não terem onde pousar. Mais tarde, libertaram um casal de corvos, que não regressaram, levando a família a crer que estavam perto de terra. Para confirmarem, libertaram um casal de rolas que também não voltou, o mesmo acontecendo com as perdizes, andorinhas e outras espécies.

Quando avistaram finalmente terra, NOÉ decidiu deixar um filho e uma filha num local que parecia ter sido uma cidade, para que pudessem constituir família e povoassem a terra. Fez o mesmo com as outras filhas mais novas em diferentes locais de aportagem.

A Arca seguiu com NOÉ e a mulher, até onde pode navegar....

 

António Vieira Franco, tinha 91, quando nos contou a lenda da nossa terra, na edição de 25 de Julho de 1996 do Diário Regional de Leiria. De uma lenda contada pela sua mãe, que vinha de muitas gerações anteriores, este nosso bravo conterrâneo abandonou-nos no dia 7 de Março de 2001. Explicou-nos assim, a origem dos nomes de Alcanadas, Penedo, Cabeçadas e Fornaria, lugares das freguesias da Batalha e Reguengo do Fétal.

É assim que vamos perpetuar esta lenda, de forma a que  caracterize os Alcanadenses como os Habitantes da Aldeia da Arca de NOÉ.

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HISTÓRIA

Reza a Lenda que o nome Alcanadas terá surgido há quatro mil anos a.C. , quando a Arca de NOÉ encalhou na zona da Eira (Piedosas) e NOÉ terá perguntado à esposa  "A Arca nada ?". A partir daí a localidade terá passado a chamar-se Alcanadas.

Em documentação medieval existente, a aldeia apresenta vestígios que atestam a presença humana ao longo dos séculos, cujo nome, como defende o professor Batalha Gouveia, alude à ocupação Árabe, mais precisamente ao poço de Alcanadas, que estaria ao serviço dos que eram "Obedientes a Alá; submissos; humildes". Logo, o poço de Alcanadas significava, ao tempo da presença árabe na Lusitânia "poço dos Islamitas". 

"Os cristãos de Alcanadas, obviamente não submetidos a Alá, teriam de procurar água noutro poço para matar a sede."

Este estudo  do topónimo Alcanadas, realizado pelo professor Batalha Gouveia, é um grande contributo para o estudo da nossa terra, no entanto, é bem possível que a presença humana nesta localidade supere, em muito, os dois mil anos o que, em certa medida, vai ao encontro da nossa querida lenda. 

Achados arqueológicos, mostram-nos ferramentas de corte de madeira do Paleolítico Médio usadas na aldeia. Este facto, reforça a ideia de que a localidade foi em tempos antigos muito arborizada, com locais excepcionais para a fixação dos povos, no socalco da Serra de Aire e Candeeiros . Lembremo-nos também que o factor vital existia. A água, era aqui abundante no ribeiro do Lena. Prova disso, é a existência do dique e da Ponte Romana.

Depois de Cristo, foram encontrados documentos escritos  a partir de 1280. No entanto, vários vestígios atestam a presença humana ao longo dos séculos em épocas anteriores a essa, nomeadamente: Túmulos Megalíticos, Castros, Restos de uma Sinagoga Mourisca, entre outros pequenos achados. Da época medieval, permanecem alguns fornos de cal, que se pensa terem sido requisitados para a construção do Mosteiro de Santa Maria da Vitória na Batalha e casario antigo.

Erguida no local, onde existia desde 1225 uma Ermida e edificada sob invocação de Santo Hilário, encontra-se a Capela de S. Mateus. Segundo  informação complementada por António José Meneses, existia a possibilidade desta capela estar apoiada numa construção romana.

 A actual Capela de S. Mateus , foi construída em 1567. Depois de diversas obras de restauro, ao longo dos séculos, a capela acabaria por ser fechada ao culto em 1975. 

Deixada ao abandono, a Capela de S. Mateus correu o risco de desabamento, não fosse um grupo de populares travar esse processo. Sendo um monumento, classificado de interesse concelhio reconhecido pelo IPAAR, está hoje apta a receber novamente o culto, bem como eventos culturais, que ali podem encontrar as condições ideais para boas performances. A sua  manutenção e limpeza é da responsabilidade da confraria de S. Mateus.

 O espólio da capela, está hoje no seu local de origem, contribuindo para fazer daquele local "o lugar mais bonito de Alcanadas", nas palavras do grande alcanadense Joaquim Cerejo de Matos Soares, membro da Comissão de Recuperação da referida capela e da Direcção do Centro Recreativo de Alcanadas e pessoa a quem devemos muito na nossa aldeia.

Apesar  do padroeiro de Alcanadas ser S.Mateus, as atenções estão centralizadas na  Nossa Senhora do Ó. A sua imagem em pedra é  gótica, tem estatura e dimensão pequenas, apresentando a Senhora sentada, puxando o seu menino pelo braço. Esta representação será do tempo do mosteiro ou mesmo anterior, segundo as conclusões do Prof.  Moisés Espírito Santo.

De referir também, a antiquíssima confraria de S. Mateus, que tem casa própria nos Arengões (Alcanadas) e que, desde o século XVI até hoje, obriga os confrades a organizar os enterros dos membros e familiares.

 Na casa da referida confraria, venera-se uma velha estatueta que se diz ser do padroeiro S. Mateus. "De pedra negra, cerca de dois palmos e particularmente disforme".   O Prof. Moisés Espírito Santo, abre aqui a possibilidade de esta poder ser uma velha imagem do, pouco amado em Portugal, Santo Hilário.

As propriedades de Alcanadas, são terras de excelência, desde sempre reconhecidas por reis, nobres, artistas. De facto, as vinhas desta terra ainda mantêm os marcos reais pois, as encostas que entroncam a serra, facilitam a produção de óptimos vinhos. 

Também o primoroso Arquitecto Huguet, mestre de obras no Mosteiro da Batalha, entre 1402 e 1438, fez por adquirir algumas propriedades em Alcanadas.

No século XVIII, inicia-se em Alcanadas a actividade mineira que irá marcar toda a vida da aldeia, nos dois séculos seguintes. Beneficiando de um subsolo muito rico em carvão, a exploração teve início em 1746, parando logo  9 anos depois em consequência do Terramoto de Lisboa (1755). Devido a este facto, e por Ordem Régia, os mineiros foram ajudar na reconstrução da cidade de Lisboa. 

Em 1900, esta era a indústria mais próspera do concelho da Batalha. Catalisada pelas 2 Guerras Mundiais, a exploração e desenvolvimento industrial das minas foi enorme, chegando a trabalhar nela, nos anos de 1939 - 1940, mais de 300 operários, fruto de uma grande migração de pessoas e famílias de diversas regiões de Norte a Sul do país para a aldeia de Alcanadas. Estas populações, integraram-se muito bem, provocando um caso excepcional de aculturação, que enriqueceu a terra, bem como todo o concelho da Batalha. Chegaram pessoas de Santa Comba Dão, Gondomar, Chaves,  e Aljustrel,  sendo estes últimos em maior número.  Alojando-se nas eiras e currais de animais, que foram readaptados para o efeito, aqui foram permanecendo, mesmo depois da extinção da mina em 1952. A actividade mineira exigia 8 horas diárias aos trabalhadores, sendo a sua alimentação fornecida pelas mulheres que se deslocavam à entrada da mina com o tradicional "farnel", que descia pelos vagões até ao local de trabalho.

Quatro anos antes do encerramento das minas ( 1948 ), chegou a  Alcanadas o primeiro rádio a baterias ao café do "Chico Caralinda", o que foi motivo de grande satisfação para todos. A programação era quase na totalidade, preenchida por relatos futebolísticos.

Em Maio de 1962, António Grilo, preparou mais uma das suas marchas, para animar o cortejo que festejava a chegada da electricidade à Aldeia.

A televisão chega, também, à casa de "Chico Caralinda" nos anos 70. 

As actividades agrícola e criação de gado, faziam parte das actividades mais exercidas na aldeia . Cereais tais como: trigo, milho, aveia, cevada e escorvia para o gado eram semeados em Alcanadas. Na altura das ceifas e cavas, os homens iam ganhar a jorna até 20 Km de distância da terra. A vinha e o azeite, eram e são também forte ocupação das nossas gentes, tarefas que tinham um tempo de apanha semelhante (1 mês cada). Nesta altura, faziam-se muitas festas, organizadas pelas raparigas que, muitas vezes, traziam momentos de muitas alegrias ao som do realejo. Também as descamisadas em Setembro, serviam para o convívio geral, sendo tradição caricata a que "rodeava" a saída da espiga vermelha, que permitia ao felizardo beijar as raparigas. " Esperar a sesta"  era um dia sagrado para sair de casa e apanhar algum namorico. Os rapazes costumavam jogar ao "Fito"  ( hoje a Malha ), que na altura se executava com pedras talhadas para o efeito. Nos dias de S. António, S. João e S. Pedro, principalmente S. João, faziam-se fogueiras em todas as casas, onde se queimava rosmaninho e pulmenteira. 

Neste período, vai acontecer em Portugal uma forte emigração dos nossos conterrâneos, que nos anos 60, atingiu o notável número de 40 mil pessoas/ano. Os destinos vão desde a França, Canadá, América, etc. Apesar da enorme perda de mão de obra daí resultante, a emigração foi uma mais valia importante para o desenvolvimento do país. 

A escola vem para Alcanadas em 1933, instalando-se onde é hoje o Centro Recreativo de Alcanadas, passando  para as novas instalações em 1964.

A água da rede só chegou  em 1967.

Como a única festividade era a  festa em honra de Nossa Senhora do Ó, até há 40 anos, era corrente:  ida a Fátima no 13 de Maio, visita as festas da Batalha no 15 de Agosto, participação na festa do Espírito Santo, com entrega das oferendas no Reguengo do Fétal, bem como, ir à missa ao Alqueidão da Serra. esta última actividade, está ligado a algumas desavenças amorosas, que hoje curiosamente  reforçam a ligação entre as duas povoações.

A missa em Alcanadas, só tinha lugar nos dias de festa ( Natal e Feriados). Na Consoada a celebração era no Reguengo do Fétal, sendo muito normal os homens ficarem cá fora na conversa durante a cerimónia, no entanto, não se podia falar de tudo pois, assuntos políticos não eram tolerados pela PIDE, que era a polícia do regime de Oliveira Salazar. Sendo muito corrente algumas conversas mais pertinentes acabarem na esquadra pois, existiam muitos informadores.

O programa de rádio " A voz da Liberdade", de Manuel Alegre, era escutado em segredo por algumas pessoas da terra, que tinham hora, local e códigos para os encontros. O 25 de Abril de 1974, é vivido com bastante alegria por alguns mais informados. Outros nem tanto pois, a vida nas aldeias não se coadominava  com a participação cívica, que por exemplo hoje, ainda que humildemente, se pratica. Também, parece que a Igreja não querendo meter os pés à frente das mãos, não deu grande realce ao acontecido, o que contribuiu para alguma falta de informação e consequentemente alguma apatia.

Depois de 25 de Abril de 1974, a aldeia dependia muito das actividades agrícolas, pecuárias e da área dos serviços em algumas oficinas e fábricas da região.

A entrada de Portugal para a aventura Europeia, tem lugar em 1985. Este acontecimento vai levar Portugal a assinar, entre outros, o célebre Tratado de Maastricht em 1992, que previa uma Política Agrícola Comum, para todos os Estados. Este facto, por si só, irá estar na origem de enormes alterações na vida das pessoas, bem como, na organização da paisagem da nossa terra. A imposição de cotas de produção, auxiliada à abertura das fronteiras e concorrência, levou os nossos conterrâneos a abandonar no princípio o gado de corno, incluíndo vacas leiteiras e porcos. Esta alteração por germinação, contribuiu para o abandono quase total dos campos de semeadura, que noutros tempos preenchiam e embelezavam a paisagem.

Com esta alteração funcional, as pessoas tiveram de procurar novas formas de sustento, procurando então emprego em unidades fabris e comerciais no distrito de Leiria.

Alcanadas, no meio destas conjunturas, lá foi evoluindo pouco a pouco, nos anos 80. Realizam-se obras de melhoramento do campo de futebol 11, ( palco de muitas belas exibições da equipa de Alcanadas ) e renovou-se o Centro Recreativo de Alcanadas. Já na segunda metade dos anos 90, a rede viária e saneamento básico da aldeia  foram completamente renovados. A lixeira, que tantos problemas trazia, foi selada, dando lugar a uma inovadora Central de transferência dos lixos, que transfere todos s resíduos  para a Central de Tratamento de Leiria, no intuito de promover a reciclagem e melhor tratamento. Inaugurou-se também, um monumento evocativo à Lenda da Arca de NOÉ, que se encontra na fonte de Alcanadas (lavadouro).

Já neste novo século e novo milénio, inauguraram-se no dia 8 de Julho de 2001 novas infra-estruturas para "Viver e morrer melhor", ou seja, um polidesportivo, ( localizado em terrenos da antiga mina ) e um cemitério nas Piedosas  ( lugar idílico desta nossa Aldeia ).  

 

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ENQUADRAMENTO GEOGRÁFICO

 

Alcanadas, localiza-se no centro de Portugal, fazendo parte da Área Promocional da Região de Turismo Leiria/Fátima, pertence ao Distrito de Leiria na Alta Estremadura e ao Concelho da Batalha. O lugar pertence às  Freguesia da Batalha e  Reguengo do Fétal, sendo as outras freguesias do concelho São Mamede e Golpilheira.

O Concelho, tem uma área aproximada de 108 km2. A Aldeia, encontra-se acompanhada de 8 colinas no sopé do Parque Natural da Serra de Aire e Candeeiros, facto que contribui para a extrema beleza natural, bem característica das paisagens calcárias do Maciço Calcário Estremenho.

Estando perto de tudo, 30km de Nazaré, 5 de Batalha, 14 de Leiria ou Fátima e à entrada da Serra D'aire e Candeeiros, este lugar mitológico convida à viagem e à descoberta da ALDEIA DA ARCA DE NOÉ!

Para chegar, pode apanhar ou  o Itinerário Complementar IC2 ( Estrada Nacional 1) saída Batalha, sentido Fátima pela Nacional 356 Batalha/Fátima; ou então pela  A1 saída em Fátima e sentido Batalha pela mesma Nacional.

 

VENHA, VAI VER QUE LHE FAZ BEM !

 

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PATRIMÓNIO DE DESTAQUE

A lenda da Arca de NOÉ, é sem dúvida um património místico que importa realçar pois, além de estar nas origens de Alcanadas, revela-se uma característica que transmite à aldeia um carácter universal, devido à universalidade que lhe é reconhecida por quase todas as culturas. Este facto, deve-se, em primeiro lugar, à referência bíblica aquando do Dilúvio Universal e também, às referências científicas nomeadamente da Arqueologia, Astrologia e Filosofia, ao assunto.

Estes aspectos revelam a importância da lenda, bem como a sua actualidade nas reflexões que irão acompanhar o Homem por muito tempo. Além do mais, é uma bela "estória" que tem o poder de embalar as crianças num último ensinamento antes do sono revitalizante.

(Imagem)

 

"Nós somos o planeta vivo, Sofia! somos a grande embarcação que navega à volta de um sol ardente no Universo. Mas cada um de nós é também um barco que atravessa a vida com uma carga de genes. Quando a tivermos transportado até ao porto seguinte, não teremos vivido em vão..."

In: Mundo de Sofia, de Jostein Gaarder

 

Também  a capela quinhentista de S. Mateus e recheio, ex-libris das Alcanadas e monumento classificado de interesse concelhio, é património a acarinhar.

 

Os terrenos, edifícios e entrada da antiga Mina, que deveriam ser alvo de uma requalificação e conservação, sob olhar da Santa Bárbara, são obra de grande relevo e importância. Esse trabalho, permitirá a protecção do imenso Património Arqueológico Industrial do século XVIII, que ali permanece sem rival no distrito de Leiria.

 

Todos os vestígios medievais tais como: os Castros, Restos da Sinagoga Mourisca, Túmulos Megalíticos, Marcos Reais, Moinhos, Fornos de Cal, Ponte Romana (na Ribeira), aparecem como elementos importantes para caracterizar esta terra.

 

O casario antigo de Alcanadas, deve ser alvo de uma nova política de reabilitação, de forma a resguardar a arquitectura civil da aldeia.  

 

Também o património construído neste século  é de destaque, especialmente as obras de Joaquim Pisa, o Centro Recreativo de Alcanadas, as  infra-estruturas desportivas, (Campo de Futebol 11 e Polidesportivo) o Cemitério, entre outros.

 

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CULTURA

A determinada altura, numa edição de um dos nossos semanários regionais aparecia uma frase que dizia enfaticamente "A cultura chegou à Aldeia", na altura anotei a saudosa notícia, mas passado um tempo vejo que tal referência não estava completamente dentro da razão pois, se a  cultura é uma característica intrínseca dos indivíduos,  nós  já determinamos os nossos  à milénios na nossa localidade.  Isto para dizer que, apesar da nossa pouca vivência cultural, ela existe e está bem viva em Alcanadas. Pessoas, música, peças de teatro, exposições temporárias, poesia, romarias, bailes, procissões, tudo isto tem forma cultural visível, nem que seja de vez em quando, na nossa terra.

Uma das pessoas que a ela se liga muito, é sem dúvida José Baptista de Matos pela sua devoção e dedicação. Também António do Rosário Baptista,  ( que é autor de quase todos os registos que apresentarei seguidamente ) e restante população integram e dinamizam realidades culturais ( Ver EVENTOS E FESTAS ) que se manifestam em Alcanadas ao longo do ano.

 

 

Diálogo “o merceeiro e o freguês”:

  

Merceeiro4Então S. José não me paga

Então que vergonha é a sua

Por mais que eu o descomponha

Você ainda continua

Desde que me ferrou o cão

Nunca mais saio à rua

 

Freguês4É talvez por lhe dever

Que eu tenho medo de si

Quer que eu deixe de comer

Para pagar o que comi.

 

Merceeiro4Ó sua cara descarada

Seu cãoseiro de má raça

Eu quando comprei a fazenda

Fui logo largar a massa

Quer você à minha custa

Encher a pança de graça.

 

Freguês4Tanta coisa para nada

Somente para me insultar

Um cãozito tão pequeno

Que mal sabia ladrar

Atura-se um taberneiro

E um homem tem que se calar

 

Merceeiro4Então seis mil e quinhentos

É cão que não vale nada

Se não levanto o cesto

Depressa o cão engordava

Arranjado estava eu

Se me não acautelava

 

Freguês4Se você se acautelar

Vai ficar sem freguesia

Todo o homem de negócio

Compra a crédito e também fia

Você tem casa de seu

E eu tenho a noite e o dia

 

Merceeiro4Trabalhe seu malandrão

Se quer mostrar seu valor

Os calos são os anéis

Dum homem trabalhador

 

Os calos dão anéis doiro

Dão casas para habitar

E um homem trabalhador

Escusa-se de envergonhar

 

Freguês4De vergonha não me importa

O que importa é a barriga

Quando a sinto a dar horas

É que a trabalhar me obriga

Trabalhar por apetite

Eu não vou nessa cantiga

 

Merceeiro4Você nasceu para malandro

Não quer juntar capitais

Na lista de caloteiros

É um tipo dos principais

Mas arranje por outro lado

Que a mim não come mais

 

Freguês4Deixemo-nos agora disso

Falemos noutro assunto

Não se esteja a incomodar

Que ainda lhe não devo muito

Se me quiser fiar mais

Eu depois pago-lhe junto

 

Merceeiro4Como vai você pagar

Donde é que a herança lhe vem

Você não quer trabalhar

Você dinheiro não tem

Só se sair à estrada

E for roubar alguém

 

Freguês4Ó seu velho taberneiro

Você me chama ladrão

Aquilo que me fiou

Não mo deu por sua mão

Quem ferra o cão a um vendeiro

Tem cem anos de perdão

 

Merceeiro4Ó seu Zé não me insulte

Quando não mando-o prender

Nem me esteja a provocar

Em cima de meu dever

Que eu não lho torno a pedir

Já conto em o perder

 

Freguês4Pois então fiquemos pagos

Desculpe a minha chalaça

Em troca de uma amizade

É bem que um favor se faça

E um dia bem você morrendo

Vou enterra-lo de graça

 

   

Desgarrada do Grilinho:

 

 Fui um dia para te ver

Estavas com o sangue na guelra

Mais tarde vim a saber,

Que tinhas alcunha de melra

 

Dos animais mais ferozes

Ocupa o crocodilo,

Também te dou a saber

Que tenho por alcunha o grilo

 

Entre a melra e o grilinho,

Não há qualquer obstáculo

Enquanto a melra faz o ninho

O grilo canta ao buraco

 

Neste Centro Cultural,

A cantar à desgarrada,

Está a melra do Reguengo

E o grilo de Alcanada

 

A melra é um ser oculto

Mas tem um cantar tão belo

Toda se veste de luto

Mas é de bico amarelo

 

Um caso mais concreto,

Esta a dar-se em Alcanada

Uma ave e um insecto

A cantar à desgarrada.

 

Venham ver a brincadeira

Venham ver o espectáculo

Canta a melra na silveira

E canta o grilo no buraco.

 

Qual de nós será pioneiro,

Nesta nossa desgarrada?

Se é a Maria do Reguengo,

Ou o António de Alcanada

 

Com esta vou terminar

Adeus que me vou embora

Tu podes cantar mais uma

Para ficares vencedora.


Marcha que celebra a chegada da electricidade a Alcanadas:

 

Vejo as luzes lá do alto

Vejo tudo em sobressalto

E em tamanho sacrifício

Grande alegria se encerra

Na nossa pequena terra

Deste grande benefício

 

Reina grande animação

Neste pequeno terrão

De terreno tão sagrado

Há grande contentamento

Por este grande monumento

Que vai ser inaugurado

 

Esta enorme necessidade

Esperada com ansiedade

Para nosso heroísmo

Nesta crise universal

O povo de Portugal

Mostra o seu patriotismo

E estribilho

 

Pelas ruas e vielas

Nós passamos com saudade

Onde outrora era escuro

Agora há luz e claridade

Cá nesta aldeia singela

Que já parece uma cidade

 

   8 de Abril de 1962

   

Fonte desaparecida:

   

Em Alcanada

Há beira de uma estrada

Reza a tradição

Havia uma fonte

A qual se chamava

Fonte do Arangão

 

Ó virgem Maria

Mas o que seria

Que aconteceu

Que desolação

A Fonte do Arangão

Desapareceu

 

Vejam meus senhores

Aqueles malfeitores

Que por ali passaram

Sem ter coração

E sem ter compaixão

A fonte enterraram

 

REFRÃO

 

Fonte tão velhinha

Que ali existia

Que ao longo dos séculos

De água fresquinha

Nos abastecia

 

Fonte do Arangão

Num triste penar

Em grande aflição

Pede à população

Que a vá desenterrar

 

 

Eu digo cá para mim

Um escândalo assim

Já não há memória

Quer queiram quer não

A Fonte de Arangão

Tinha a sua estória

 

O povo da aldeia

Suspira e anseia

Sobre aquele monte

Parece loucura

Vai tudo à procura

Da velhinha fonte

 

Alguém perguntou

O que se passou

Lá em Alcanadas

Eu respondi então

A fonte do Arangão

Morreu soterrada.

 

MARCHA DE ALCANADAS:

 

REFRÃO

Alcanadas, moira encantada,

És meu encanto e a minha paixão,

Terra amiga, jóia antiga,

És a mais bela que manténs a tradição.

Alcanada, moira encantada,

Cantando mostras tua beleza,

Alcanadas deste nosso Portugal,

Terra amada imortal bem portuguesa.

 

Não há ninguém que não diga,

E com uma certa razão,

Que é a aldeia mais antiga,

Desta nossa região

Tão velhinha que ela é,

Mas tem histórias engraçadas,

Foi a Arca de NOÉ... ai...ai...

Que deu nome às Alcanadas

 

Aldeia branca e velhinha,

No mundo não tens rival,

Tens a velha capelinha,

Património nacional,

És para mim um luzeiro

Onde estão os intentos meus,

E tens como padroeiro...ai...ai...

O apóstolo S. Mateus.

 

Homenagem aos Bombeiros Voluntários da Batalha:

 

A aldeia de Alcanadas

Sempre que seja alertada,

Ás suas regras não falha

Mostram-se ser solidários

Aos bombeiros voluntários

Desta vila da Batalha

 

Na hora da aflição

Numa enorme prontidão

Eles ouvem a nossa voz

Muitos tem sido aqueles

Que têm chamado por eles

E eles hoje chamam por nós.

 

Nós não teríamos coragem

Para não prestarmos homenagem,

A esta Corporação destemida,

Nós vimo-los ofertar

Há que os considerar,

Porque eles dão vida por vida.

 

AO CENTRO PASTORAL DA N.ª SR.ª DOS REMÉDIOS:

 

É com prazer e alegria,

Que o povo da freguesia,

Do Reguengo do Fétal,

Mostrando sermos unidos,

Aqui estamos reunidos,

Nesta festa inaugural.

 

Reunidos nesta hora,

Mostrando a Nossa Senhora,

Que vimos por seus intermédios,

Inaugurar afinal,

Este Centro Pastoral,

Da Senhora dos Remédios.

 

MARCHA DE S. ANTÓNIO E S. JOÃO:

 

Ao som de um armónio

Corri aflito

Ai meu Santo António

Dai-me um namorico

Cachopas brejeiras

Em lindos bailados

Vão para as fogueiras

Com seus namorados

 

REFRÃO

 

Vão os rapazes com as raparigas

Tanta alegria no peito encerra

Somos audazes não haja intriga

Esta é a marcha da nossa terra.

 

Marcha tão garrida

Canções e baladas

Não há terra crida

Como as Alcanadas.

Aldeia singela

Tu não tens rival

Tu és a mais bela

Deste Portugal.

 

Ref.

 

Há fumo no ar

Já tenho um balão

Para festejar

Também S. João.

Fumo branco e puro sai do rosmaninho

Lá vai sem futuro

Subindo sozinho.

   

Marcha à Batalha:

 

Batalha formosa o povo a sorrir

É como uma rosa quando está a abrir

Quando está a abrir está em botão

Batalha formosa do coração.

 

REFRÃO

 

Lindo mosteiro

Rico profundo

És o primeiro

De todo o mundo

Linda memória

Tão sem igual

Que trás a História

De Portugal.

 

Vamos à Batalha vamos a cantar

As nossas oferendas nós vamos levar

Vamos com carinho vamos com fervor

Vamos lhe mostrar o nosso amor

REF.

 

Vêm lindas oferendas de todos os lados

Vão as raparigas com os seus namorados

Deus esteja com connosco é nosso desejo

Vimos tomar parte neste cortejo.

 

REF.

 

Homens e mulheres

Vai tudo em geral

Jovens e donzelas

Àquele local

Meu Deus tanta gente

Que vão lá fazer?

As suas oferendas

Vão oferecer.

 

REF.

 

Tanta riqueza

Tanta saudade

Tanta nobreza

E lealdade

Tanta alegria

Tantos carinhos

Trás este dia

Aos pobrezinhos.

 

Marcha de Alcanadas (José Baptista Magalhães):

 

Terra bendita

Deste Portugal

És a mais bonita

E sem ter rival

Tuas moçoilas

Cantando ao serão

Lembra-nos papoilas

No pino do verão

 

REF.

 

Alcanadas amiga como tu não há igual

Jóia mais antiga

Deste Portugal

Princesa bendita

Que nasceste benfadada

És mais bonita que qualquer fada.

 

Os passarinhos

Passando a voar

Pedem-te baixinho

Que venhas cantar

A sua voz

Banhada de pranto

Vêm junto de nós

como puro encanto.

 

REF.

 

De manhãzinha

Gostamos de ver

Teu véu de rainha

Ao alvorecer

Durante o dia

Banhado de luz

Tua melodia

Assim nos seduz.

 

Marcha de S. João:

 

Rompeu o dia, está a nossa aldeia em festa,

Não há no mundo romaria como esta,

Haja alegria, haja grande animação,

Viva a folia, é dia de S. João.

 

REF.

 

Alcanadas cheira a pulmenteira,

Alcanadas cheira a alecrim,

Alcanadas cheira a rosmaninho,

Do Algarve ao Minho,

Não há outra assim.

 

Quando à tardinha, sem canseiras nem fadigas,

Bem sorridentes com o seu arquinho e balão,

Vão os rapazes ao lado das raparigas

Todos contentes na marcha de S. João.

 

REF.

 

 As raparigas nesta marcha popular,

Levam na mão vaso de manjerico,

E à noitinha à capela vão rezar

S. João que lhe dê um namorico.

 

Versos de um emigrante:

 

Lá por ter nascido em França

Não me considero francesa

Trago sempre na lembrança

Minha pátria portuguesa

 

Os meus pais são emigrantes

Eu nisso sinto prazer

São firmes e confiantes

À pátria e ao dever.

 

O ano passado parti

De férias a Portugal

Quando cheguei resolvi

Visitar a capital

 

Na Madragoa passei,

Ouvi o som de um armónio

Derrepente recordei

As marchas de Santo António.

 

A seguir fui visitar

A estátua de Dom José

Passei em Alcântara Mar

Até ao Cais do Sodré.

 

Vi a ponte sobre o Tejo,

Que muito admirei

Para satisfazer meu desejo

Fui visitar Cristo Rei.

 

Com seus olhos impressionantes

De braços abertos no ar

A todos os emigrantes

Parece crer abraçar.

 

São também os meus intentos

E toda a minha aspiração

Visitar os monumentos

Lá na minha região.

 

O Castelo de Leiria

E na Batalha o Mosteiro

E também Cova de Iria,

Que é o altar do mundo inteiro.

 

Foi em Fátima que apareceu

A virgem aos pastorinhos

Foi um dom que Deus me deu

Eles serem meus vizinhos.

 

Meu distrito é Leiria

Do centro de Portugal

Pertenço a freguesia

Do Reguengo do Fétal.

 

Agora para terminar

Eu digo com altivez

Prezo-me em participar

No concurso português.

   

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EVENTOS E FESTAS

As semanas culturais de Alcanadas, tiveram inicio em 1988. Tendo a primeira decorrido de 24 a 31 de Julho desse ano, sem dúvida este é um evento do qual nos devemos e podemos orgulhar.

Tendo como mentor desta iniciativa o senhor José Baptista de Matos, ( “O SENHOR ALCANADAS” ) certo é que toda a aldeia auxilia a sua execução ano após ano, contribuindo para que Alcanadas seja reconhecida hoje no mapa de Portugal.

Esta inédita iniciativa, que promove a cultura popular, mantendo a tradição dos bailes e romarias, intenta ir mais além na sua programação. Assim, tenta promover um leque de actividades que vão desde o Teatro ao Desporto, do Fado ao Tiro aos Pratos, dos Jogos Populares às Exposições, dos Cantos à Desgarrada ao Debate Político, da Vivência Democrática à Prova Gastronómica.

A Semana Cultural é na nossa perspectiva um modelo muito pertinente, da evolução que está a operar-se por todo o país, no que diz respeito a iniciativas promovidas por aldeias, vilas e cidades, que tanto necessitam deste tipo de sensibilidades.

Estes eventos, têm a capacidade de animar as pessoas, ( preenchendo os seus tempos livres com actividades de lazer )  incentivar a participação das pessoas e promover o civismo, tornando-se, desta forma, um precioso auxiliar no processo de controlo e regulação da nossa democracia.

Assumindo-se como um evento Cultural, Social e Cívico, deseja continuar a marcar presença, para que possa fazer parte da programação cultural do Distrito de Leiria.

De referir, que no decorrer das semanas culturais, a aldeia passa para as capas de revistas e jornais de todo o país e estrangeiro. Também as televisões ocasionalmente aqui nos visitam por esta altura.

Orgulhamo-nos de todas as visitas, que aqui vêm surpreender-se com a beleza social, histórica e ambiental  de Alcanadas. Das quais destacamos dezenas de figuras públicas intervenientes na vida pública, tais como: Engenheiro Lopes Cardoso, Arquitecto Ribeiro Teles, Prof. Adriano Moreira, Dr. Barros Moura, Dr. Joaquim Miranda, Dr. Jorge Ferreira, Engenheiro Macário Correia, Almirante Rosa Coutinho, Dr. Luís Sá, Engenheiro Luís Coimbra, Dr. José Casanova, Dr. João Poças Santos, José Socrates, Manuela Aguiar, Maria José Nogueira Pinto, Iva Delgado, Paulo Portas, Pires de Lima, entre outros,  proferindo colóquios e interagindo com os nossos conterrâneos, pessoas da região e visitantes de todo o  país, que assistem e intervêm com enorme interesse.

De referir, a mobilização não só dos responsáveis e membros dos órgãos do Centro Recreativo, mas também, de todas as pessoas de Alcanadas, em especial os  jovens que desfrutam desta ocasião para apresentarem trabalhos conjuntos nas mais diversas áreas culturais. Este exercício presenteia-nos, na nossa perspectiva, com mais valias que nos acompanham pela vida toda e que devem ser alvo de um processo evolutivo. Estes trabalhos contribuem de facto para o enraizamento das pessoas à terra.

Sendo promovida consecutivamente pelas várias direcções do Centro Recreativo de Alcanadas, instituição máxima nesta terra, e, tendo já passado o “período de incubação” do evento, podemos dizer que a Semana Cultural de Alcanadas está aí para ficar e para viver Portugal.

   

FESTEJOS DA SENHORA DO Ó E DE S. MATEUS

 

Os festejos em honra da Nossa Senhora do Ó e de S. Mateus, são os mais antigos festejos em Alcanadas. Sendo o único festejo nos anos 40, tinha lugar  (até há 20 anos ) a 25 de Dezembro (dia de Natal ).

Nessa época, a festa merecia a comparência de um padre para celebrar a missa na igreja de S. Mateus, sendo acompanhado no acto cerimonial,  (segundo residentes desta terra ) pela Banda Filarmónica das Cortês, que tocavam, cantavam, faziam o peditório e serviam o padre.

A cerimónia era em Latim, sendo incompreendida por 90% das pessoas que lotavam a igreja. Ocupando superiormente o coro, em baixo os bancos, as pessoas que chegavam atrasadas alargavam a nave da igreja para a rua nos dias mais importantes.

Desde há alguns anis, os festejos tem lugar no final de Agosto princípios de Setembro, facto que não alterou a vitalidade e importância dos festejos para os alcanadenses.

A missa, procissões, bailes, quermesse , serviços de bar/restaurante, dão hoje vida nova ao belo espaço que resultou das obras de restauro da igreja de S. Mateus, promovidas pela comissão de recuperação da capela, que fez daquele espaço “ O mais belo espaço da aldeia”.

 

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CENTRO RECREATIVO DE ALCANADAS

 - Data de fundação – 05/07/1972

 - N.º de sócios – 300

 - Sede geográfica – Alcanadas

 - Área de influência – Alcanadas, Alqueidão da Serra, Fonte do Oleiro, Cela e Casal da Quinta

 - Superfície – 4000m2

 - Secções – não tem

 

 

A colectividade, nasceu em 1972, tendo existido no seu local uma velha escola. Quando se edificou a nova escola, a casa foi oferecida à população, que a utilizava para reunir.

Em 1981, já existia um projecto feito pelo Gabinete técnico de Apoio de Leiria que visava a ampliação, previa também um posto de enfermagem, biblioteca, sala de reuniões e gabinete da direcção, obra que estimava um investimento de 8 mil contos, mas que não vincou..

Hoje, as instalações incluem: um bar/sala de convívio/TV; escritório; sala de jogos/exposição; espaço para utilização de computadores/Internet; salão de festas com pequeno palco, que se utiliza também como sala de jogos, sala de apoio a programas de tempos livres, etc.

A Colectividade cresceu especialmente com donativos da população, tendo além da sede um terreno para onde estão projectadas infra-estruturas de apoio à terceira idade, bem como um parque infantil. O terreno foi adquirido por quatro mil contos, há cerca de 7 anos. Na altura, a direcção pretendia realizar uma construção típica com instalações que permitissem a vinda de um médico um dia por semana, bem como, um parque infantil com árvores, que permitisse o recreio para as crianças e idosos. Este projecto, ainda não está executado, mas, pela sua qualidade, necessidade e projecção futuras deverá ser um dos objectivos desta casa que todos gostaríamos de ver realizado.

O Centro Recreativo de Alcanadas, possui também um parque de jogos inaugurado em 8 de Maio de 1988, que foi palco por muitos anos de jogos de futebol 11 que tinham como mais valia, a ocupação saudável dos jovens da nossa região.

Recentemente, e como complemento às nossas infra estruturas desportivas, foi recentemente inaugurado um polidesportivo, nos terrenos da antiga mina, que exigiu um investimento estimado de 5 mil contos.

Os marcos mais importantes desta colectividade foram, sem dúvida, as equipas de futebol, o rancho folclórico ( ambas actividades interrompidas ) e as, cada vez mais actuais, Semanas Culturais.

O Rancho Folclórico da terra, que deu início à actividade em data a determinar, esteve parado algum tempo, tendo “reanimado” em 1986 por alguns anos, voltou a parar até hoje.

As Semanas Culturais, são obra de todos os alcanadenses, no entanto, devemos a sua existência ao seu criador, José Baptista de Matos, um Homem que divide a sua vida entre a "amante" e a "progenitora". Sem dúvida, esta repartição de tempo que faz entre França e Portugal, desencadeou, nesta nossa figura, um espírito criativo invulgar que a todos toca. Foi ele que, desde a 1ª Semana Cultural, que se realizou de 24 a 31 de Julho de 1988, operacionalisou os programas, trazendo-nos as mais mediáticas e conhecidas figuras do país, aos colóquios  que decorrem durante a semana.

A associação, tem levado também a cabo vários cursos, no âmbito da alfabetização de adultos, ocupação de tempos livres, entre outros. Também tem procurado participar e organizar torneios de diversas modalidades, não esquecendo a comparência e representatividade nas festas e iniciativas concelhias para que é convidada.

Financeiramente , a colectividade vive com algumas dificuldades das verbas cedidas pela Câmara Municipal da Batalha, das Juntas da Freguesia de Batalha e Reguengo do Fétal, de patrocínios individuais ou de empresas, do rendimento do bar/serviços e obviamente das quotas dos associados. No entanto, com a equipa rejuvenescida, que actualmente encabeça a Associação estes contratempos, serão por certo suprimidos. Os parabéns para a equipa !

De notar que muitas colectividades, abrem apenas à noite aos sócios, a nossa abre também diariamente entre as 12 e as 15 horas, contribuindo assim para o bem estar de todos

   

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ALCANADAS E CONCELHO À 500 ANOS

 “Em relação à população, podemos referir que em 1527 as autoridades do reino fizeram um recenseamento nacional, que registou o nome dos lugares e o número de fogos.

Assim, determinou-se que as Alcanadas tinha 12 fogos, na altura, menos 65 que a vila da Batalha.

Para sabermos a população média, multiplicamos por 4 ( n.º médio de residentes por casa à 500 anos) o número de fogos, o que dá uma população estimada de 48 habitantes. Pode parecer pouco, mas devemos ter em conta que a população estava a recuperar das epidemias que dizimaram grande parte da população no final do século XIV e início do século XV.

Em todo o concelho, se registaram alterações, no entanto em certos locais mais do que noutros. A actividade agrícola, tinha como ponto forte os cereais, sobretudo trigo, cevada e algum linho, o milho e a batata ainda não existiam. Também marcavam presença as Oliveiras e as Figueiras que abundavam. Não existiam ainda laranjeiras. Nas encostas, os Carvalhais, os Sobreirais e alguns Castanheiros marcavam presença, nos baixios haviam Choupos e Freixos. O Pinho e a Vinha eram nesta altura raros.

A fauna mudou também muito, havia em abundância rebanhos de ovelhas, de cabras e muitos burros, (um pelo menos em cada casa) alguns cavalos e os mais remediados tinham uma junta de bois.

O regime de propriedade era muito diferente do que se pratica hoje. Os habitantes apenas possuíam de seu as courelas contíguas à povoação. Para além dessas courelas, entrava-se em grandes propriedades senhoriais, ou seja, do rei, dos nobres, dos senhores da vila ou do mosteiro de Santa Cruz  de Coimbra. Estas propriedades, quase sempre incultas, produziam sobretudo mato e bolota que eram dadas aos porcos.

Haviam também muitas terras baldias, isto é, pertencentes às aldeias no seu conjunto e para uso exclusivo dos seus habitantes. Eram utilizadas sobretudo para pastagens e recolha de lenha. Os rebanhos circulavam por todo o lado, mesmo nas terras dos outros, e a azeitona caída no chão até aos santos, também pertencia a todos.

Ao longo dos séculos os habitantes foram-se tornando proprietários privados dessas terras, directamente por cedência do rei ou, por ocupação pura e simples. O estado encorajou a ocupação dos baldios, sobretudo a partir do Século XVIII, contra a vontade das aldeias no seu conjunto.

Não podemos deixar de referênciar que o Mosteiro de Santa Maria da Vitória foi construído em 1385 por operários habitantes da região. Todo o concelho vivia das obras do mosteiro. Podemos mesmo supor que cada família teria um ou dois homens a trabalhar nas obra, durante todo o tempo que elas duraram. Da lavoura ocupavam-se sobretudo as mulheres e as crianças.

Podemos supor também, que esses artistas-operários seriam muito mal pagos, quase como escravos, que se sujeitavam a trabalho muito árduo, sujeito a muitos acidentes de trabalho.

O dia de trabalho era geralmente de sol a sol, com um período de duas horas de sesta à tarde, Trabalhava-se mais durante o dia, mas havia muitos mais dias santos, em média três ou quatro por mês. Trabalhavam mais, efectivamente mas, também se divertiam muito mais do que nós. Iam a todas as festas, peregrinações e romarias das regiões, percorrendo para isso, por vezes, mais de 20Km a pé. Cantava-se pelo caminho e dançava-se nos largos das tabernas, passando nesses santuários populares a noite da véspera.

Os homens iam a todas as feiras das redondezas, a cavalo ou a pé, armados com um cacete. No Verão nas aldeias, cantava-se e dançava-se nos adros e centros das aldeias e, no Inverno, nos palheiros ou em barracões, ao som de instrumentos simples: pífaros, concertinas, ou a voz das cantadeiras.

Há seiscentos anos, as regras da moral e da decência eram menos severas do que há cinquenta anos. Havia muitos casais que hoje diríamos amancebados e muitos filhos ilegítimos. O casamento era menos cerimonioso, bastava que um rapaz e uma rapariga com idade de casar dissessem um ao outro, mesmo num momento de paixão passageira: “tomo-te por minha; tomo-te por meu” e logo ficavam casados, tinham só depois de dizer a alguém ( família, pároco, ou outra autoridade) que haviam prometido fidelidade entre si e logo o casamento ficava oficializado.

Este processo de contrair casamento, muito antigo, só foi abolido pelo Concílio de Trento, em 1557, mas ainda se praticou em toda a Beira até 1750, lembremo-nos que não havia registos como há hoje.

Os encontros entre rapazes e raparigas eram menos controlados pelos pais e pela vizinhança porque, os caminhos eram mais longos, as aldeias mais escuras e os locais de trabalho mais afastados.

As caminhadas para as festas eram ocasião de grandes paródias, o que de certa forma contribuiu para concluir que os nossos antepassados faziam muitas mais “asneiras” do que os nossos pais fizeram na sua juventude. Os filhos nascidos fora do casamento eram , há duzentos anos, dez ou vinte por cento da população.”

 

( Fonte utilizada: PEREIRA, Severino; ESPÍRITO-SANTO, Moisés.

 O concelho da Batalha, edição da Câmara Municipal da Batalha, Abril de 1987.

Dicionário Enciclopédico da História de Portugal, edição de Selecções do Reader’s Digest, SA, 1985  )

   

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PERCURSO FOTOGRÁFICO

 

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ACTIVIDADES PROGRAMADAS

As actividades que o Centro irá realizar serão colocadas por ordem de ocorrência. Venha também participar na nossa festa.

Município da Batalha e o Centro Recreativo de Alcanadas levam a efeito a 28 de Setembro, Domingo, com partida às 9h30 junto à Capela de São Mateus, o percurso pedestre “Mata do Cerejal”.
Esta iniciativa, aberta a todos os participantes, visa assinalar o Dia Mundial do Coração, enfatizando-se, naturalmente, as vantagens da prática desportiva e da adopção de estilos de vida suadáveis.
O Percurso pedestre “Mata do Cerejal” desenvolve-se ao longo de seis quilómetros, estando repartido pelas freguesias da Batalha e de Reguengo do Fetal. O destaque deste traçado recai na Mata do Cerejal e na sua rica diversidade de fauna e flora.
Os interessados devem efectuar a inscrição, gratuita, até ao dia 25 de Setembro, via email: cultura@cm-batalha.pt (nome e data de nascimento). A iniciativa conta com apoio da Freetour - Animação Turística e Cultural.

 

 

Obrigado pela sua visita !

 

 

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CENTRO RECREATIVO DE ALCANADAS  

E-Mail: alcanadas@yahoo.com.br

Trabalho desenvolvido por: Horácio de Matos Táboas


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